sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pensamentos soltos




As palavras querem sair!

Procuram passagem e conduzem-se para a ponta do lápis.

Saem todas embaralhadas. Na correria atropelam-se no pensamento. Egocêntricas se acham verso...

Como em uma dança os pares se formam e tomam o salão. Tudo em volta torna-se nada. Seus passos leves se assemelham ao voar dos pássaros, a folha é o céu.

São tantas que na mente do escritor já não há espaço. Ocupam então todo o espaço em branco do papel. São tatuagem e se marcam sobre ele sem se preocupar com a dor que esse sentirá. E ferem!

Quantas palavras. Cada uma traz consigo tantas outras. São capazes de enlouquecer, apaixonar, relembrar! E ferem!

As palavras tomam o mundo para si. Iluminam, harmonizam, fazem guerra. E ferem!

Essas palavras! Transfiguradas tem voz. E ferem! E ferem! E ferem! E no fim amenizam.

Esses pensamentos são palavras e as palavras precisam sair.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dá-me força para suportar sua ausência


Essa dor, que a tua presença me traz, é tão grande, acho que torna-se física..
Tempo passado.
Tem tanta coisa que eu queria ter falado, eu ainda me culpo..
Por não ter feito nada, por ter esperado o momento certo. Sabe aquele que nunca chega?
Me culpo por não saber te amar, ou te ensinar a me amar. Mas amor não é algo que a gente possa controlar.
Me torno algo ruim perto de ti, perco o controle sobre mim. O ar sai dos meus pulmões e não volta.
Tem um músculo aqui dentro que só bate ao som de seu nome..
Preciso me olhar e reconhecer algo que não seja a sua face.
Procuro um modo de viver sem que pra isso sua existência seja necessária.
Sou um barco à deriva e já nem sei se procuro um porto.
Mar de mágoa. Procuro solidão.
Não me conheço mais, sou sofrimento vivo.
(Ouvindo: Resta - Ana Carolina com Chiara Civello)

terça-feira, 27 de abril de 2010

La vie sur scène




Abrem-se as cortinas.
O espetáculo vai começar!

Olhares atentos, o palco iluminado.

Já nem sinto meu coração, sinto a luz sobre meu corpo.

Ato.

Não existe eu, sou agora personagem. Pessoa inventada.

Quem me observa não me vê integralmente. Veja de mim só o que lhe mostro.

Máscara.

É a luz desse tablado que me alimenta, sou estrela nesse mundo.

Representar. No palco, na vida.

Minha vida transformada em cena.

A cortina se fechou.

Em meio aos aplausos sou espectador.

Metamorfose. Sou personagem de mim mesmo.

Sem platéia, sem luz, sem máscara.

Ouvindo: Sapato Novo - Los Hermanos